MARKETING DA VIOLÊNCIA


Por Ana Lucia Villela

Sabendo que as crianças passam mais tempo na frente da televisão do qualquer outro tipo de atividade além de dormir, é difícil pensar que elas não são afetadas pelos conteúdos dos programas e da publicidade expostos na televisão.
Segundo Linn [1], no dia 26 de julho de 2000, a Academia Americana de Pediatria, a Associação Americana de Psicologia, a Academia Americana de Psiquiatria de Crianças e Adolescentes, a Associação Medica Americana, a Associação Americana de Médicos de Família e a Associação Americana de Psiquiatria fizeram uma afirmação conjunta sobre mídia e violência. Após revisarem mais de mil pesquisas, sobre o tema, durante trinta anos, eles escreveram uma nota consensual da comunidade da saúde pública que “assistir a um entretenimento violento pode levar a aumentos das atitudes, valores e comportamentos agressivos, especialmente entre crianças”.
É complicado fazer afirmações sobre o assunto por cada criança ser diferente uma da outra, mas é possível identificar alguns efeitos mensuráveis da nota publicada. São eles: crianças que assistem muita violência tendem a achar efetivo resolver conflitos de forma violenta e também assumem que comportamentos violentos são aceitáveis; violência de entretenimento leva à crença de que o mundo real é ruim e violento e ao aumento de medo de se transformar numa vítima disso, o que resulta em comportamentos autoprotetores e desconfiança de outros; crianças expostas a programação violenta em idades tenras tem uma tendência muito maior a ter comportamentos agressivos quando mais velhos do que aqueles que não foram expostos.
O marketing de produtos e sua conexão com comportamento violento têm sido amplamente pesquisado, analisado e debatido. Mesmo assim, a freqüência de violência na mídia continua aumentando.
Para Schor [2], pesquisadora e autora de vários livros sobre consumo, nos EUA o cultivo cultural do “gosto pela violência” entre jovens virou um problema sério. Além dos filmes e da TV, os vídeos musicais se tornaram um dos seus maiores expositores. Segundo a Pedriatics 2001, metade desses vídeos envolve algum tipo de violência, sendo a maioria dos casos contra as mulheres. Um quarto dos videoclipes atuais são violentos e oitenta por cento deles tem como modelo um agressor.
A violência também está presente em brinquedos voltados para crianças, especialmente do sexo masculino. Na feira internacional de brinquedos, a Toy Fair, de 2002, o que mais fez sucesso foram bonecos de ação, sempre musculosos e super armados, voltados também para idade pré-escolar. Esses brinquedos são amplamente divulgados pela televisão.
Violência não é o único impacto negativo documentado sobre os efeitos da TV e de outras mídias eletrônicas. Muitos estudos conseguiram associar assistir TV a desenvolvimento cognitivo ruim, falta de competência de leitura, menor desenvolvimento cerebral e baixo êxito escolar. Hoje, uma vasta literatura explora a ligação entre assistir TV e obesidade, assim como outras disfunções alimentares como anorexia nervosa e bulimia.
A associação americana de pediatria recomenda que crianças com menos de dois anos de idade jamais assistam TV e apontam para a obrigatoriedade da ampla divulgação de pesquisas sobre os efeitos negativos significativos na saúde quando se permanecem mais de duas horas diárias na frente da TV, tanto os físicos, como obesidade, quanto os psicológicos, como angustia, depressão, sentimento de solidão, etc.
O marketing de produtos que causam a dependência, a promoção de hábitos alimentares não saudáveis e o cultivo do gosto pela violência são práticas especialmente horrorosas quando o alvo é o público infanto-juvenil. Dependência geralmente começa durante esse período e pesquisadores suspeitam que é por causa das mudanças que ocorrem no cérebro que a dependência precoce é muito difícil de se quebrar. Hábitos alimentares da infância, freqüentemente continuam na vida adulta.
Fabricantes e publicitários desses produtos compreendem a importância de se ter uma demanda ainda jovem. Existe até um termo para isso – mercado futuro – e é como transformar as crianças em clientes fiéis pela vida toda. O veículo mais utilizado para tanto é a televisão.
Como é sabido, o impacto do excesso de televisão e da publicidade na vida das crianças e dos jovens trará problemas para a saúde pública. O que gostaríamos de propor é uma ação conjunta das diversas associações que trabalham nessa área como as secretarias de educação, saúde e cultura para fazer um trabalho preventivo evitando a aplicação de um remédio que sempre é mais custoso para a sociedade.
Seria ótimo se a violência veiculada na televisão não tivesse impacto nos atos e comportamentos negativos das crianças, assim como seria muito bom se essa fosse sua única causa. Sabemos que não é. Não basta ficar menos tempo ou desligar a TV, mas é um começo.

Ana Lucia Villela é Mestre em Pscologia da Educação pela PUC São Paulo e é presidente do Instituto Alana, mantenedor dos projetos Desligue a TV e Consumo Infantil.

POSTAGENS POPUPARES

POSIÇÕES APRS - APRS.FI

.

Resumo para o "Solar-Terrestrial Data"

Variações no campo magnético da Terra são medidos por magnetômetros.
Dois índices são calculados:
Índice K - Faixa de 0 a 9, 0 é calma
Índice A - Usa a média das 8 leituras do índice K, Faixa de 0-400
Geralmente um Índice A igual ou inferior a 15 ou um índice K igual ou inferior a 3 é o melhor para a propagação HF.
Elevados índices A e K reduzem as MUFs, mas ocasionalmente MUFs em baixas latitudes podem aumentar quando os índices A e K são elevados.
Veja no quadro acima, tanto os dados relativos a data de hoje (UTC), quanto a faixa de variação dos índices K e A:

ESTAÇÕES QRP

Loading...

VIDEOS SOBRE APRS

Loading...

Total de visualizações de página

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Gostou? Divulgue o GRAJU!