DEXISTAS (DXers), RÁDIO ESCUTAS, RADIOAMADORES, OUVINTES DE ONDAS CURTAS E MONITORES DE EMISSORAS INTERNACIONAIS

Radioescuta, DXista, Radioamador e Ouvinte de Ondas Curtas

DEXISTAS (DXers), RÁDIO ESCUTAS, RADIOAMADORES, OUVINTES DE ONDAS CURTAS E MONITORES DE EMISSORAS INTERNACIONAIS.

QUAIS AS DIFERENÇAS?

Sergio Dória Partamian
2/11/2009

No presente artigo, de forma sintética, estarei procurando passar aos colegas alguns conceitos sobre o que é dexismo, delimitando seu segmento de atuação frente a outras atividades ligadas ao rádio.
1 – Radio Escutas ou Ouvintes de Rádio.
Na categoria genérica e imprecisa de “Rádio Escutas” podem estar enquadradas todas e quaisquer pessoas que ouçam o rádio: o ouvinte de uma emissora local, o empregado de uma estação que tem por tarefa ouvir as concorrentes, o monitor de radio internacional, o Radioamador (quando escuta seu rádio), o promotor de testes de equipamentos de rádio e antenas, o Dexista e até mesmo aqueles que se dedicam a ouvir sinais de rádio provenientes de fontes tão exóticas como os morcegos (!). Ou seja, o “rádio escuta” é o ouvinte de rádio em sentido amplo, tal como o termo em si mesmo sugere.
No Brasil, para as emissoras de radiodifusão, “radio escuta” tinha um sentido mais específico: servia para designar um compartimento da estação, uma “Sala de Radio Escuta” onde um estagiário ou funcionário em início de carreira, acompanhava através do rádio os resultados dos jogos internacionais, as noticias pelas grandes emissoras de Ondas Curtas ou até mesmo ouvia estações concorrentes em busca de informações; isso num tempo em que a telefonia não funcionava a contento, era cara e não havia ainda a Internet. Atualmente, nas “Salas de Radio Escuta” sobreviventes, os receptores foram desativados e substituídos pela Internet. Provavelmente os serviços de “escuta de rádio” ainda sobrevivam nas grandes agências de inteligência e nas emissoras internacionais de porte - tipo BBC Monitoring Service – e se destinam à coleta de informações provenientes de regiões do mundo que estejam em conflito onde, por ventura, os outros meios de comunicação possam estar comprometidos.
2- Radioamadorismo e radioamador
O radioamadorismo é um hobby de caráter científico. O radioamador procura manter em funcionamento uma estação de radiocomunicação para comunicados, contestes ou conversas informais em diferentes modos de transmissão entre eles a telegrafia ou CW, AM, SSB-USB/LSB, FM, FSK para os modos digitais: SSTV, RTTY, Packet (Acesso via internet+software+radio) e operação via satélite. Para se ter uma estação de radioamador, é necessário que seu praticante estude legislação, detenha conhecimentos científicos (pelo menos os fundamentos) de eletricidade e eletrônica; para comunicados de longa distância (DX), conhecimentos de Geografia e Astronomia entre outros.
Existem restrições a operação do serviço de radioamadores, as freqüências são delimitadas pelos organismos oficiais de comunicação de cada país seguindo os padrões mundiais da UIT (União Internacional de Telecomunicações). Para ser um radioamador, é necessária a obtenção de licença de operação junto ao órgão público responsável pelas Comunicações de seu país, a permissão é concedida mediante avaliação técnica que, dependendo faixa de operação ou modo de transmissão pretendida, pode ser de menor ou maior dificuldade.
3 – Os Ouvintes de Ondas Curtas ( Shorwave listeners (SWLs).
Tem por hobby sintonizar estações de radiodifusão que transmitem nas freqüências de Ondas Curtas, compreendidas entre 1700 kHz (logo acima das Ondas Médias) até 30 MHz, que corresponde ao limite máximo de cobertura da maioria dos receptores de Ondas Curtas. Geralmente procuram ouvir emissoras de todo o mundo tendo por motivação principal o interesse na programação, de forma a que possam acompanhar notícias, esportes, ouvir músicas e adquirir cultura geral. Gostam de participar dos concursos promovidos por pelas emissoras, onde concorrem aos brindes por elas ofertados. Outros têm como hobby colecionar confirmações de recepção das emissoras (por escrito ou na forma de Cartão QSL). Muitos desses ouvintes de Ondas Curtas que colecionam QSLs, na medida em que buscam obter confirmações de estações de mais difícil captação, acabam por tornarem-se dexistas.
4 – O Monitor de Radio Internacional.
São ouvintes de Ondas Curtas (Shortwave Listeners) que prestam serviços, remunerados ou não, as emissoras internacionais. Seus serviços consistem no auxilio os engenheiros das estações através do monitorando de freqüências em horários indicados pelos Departamentos Técnicos. Enviando regularmente informações sobre as condições de recepção da emissora em sua região, os monitores ajudam os engenheiros na seleção de freqüências e contribuem para que as transmissões internacionais cheguem aos demais ouvintes com a melhor qualidade possível.
5 - Dexismo e Dexistas (DXers).
A palavra “DX” originalmente significa distância, distante.
Diferentemente do radioamadorismo - onde termo é utilizado para definir contato (bi-lateral ou multilateral) a longas distâncias - para aqueles usam seus receptores com objetivo único de caçar e ouvir sinais distantes e difíceis (não estabelecendo, portanto, nenhum tipo de contato pelo meio rádio) a significante DX tem contornos próprios e até diferenciados, sem que sua essência de “distância, distante” tenha sofrido alterações.
Assim, a letra “D” significa distância e a letra “X” significa desconhecida, incógnita; sendo o Dexismo assim definido:
Dexismo: hobby de se escutar transmissões de sinais longínquos, provenientes de regiões distantes (milhares de quilômetros), fora das áreas de cobertura projetadas pelas emissoras e preferencialmente de potências reduzidas.
Os Dexistas são os caçadores destes sinais. Majoritariamente se concentram na busca de emissoras de radiodifusão oficial seja em Ondas Médias, Ondas Curtas, Freqüência Modulada ou Televisão destinadas ao público em geral, havendo também outro considerável contingente deles que buscam emissoras clandestinas, piratas, radioamadoristicas, ou utilitárias prestadoras de serviços com as mesmas características. Em outras palavras, o dexismo é o hobby de se caçar sinais de rádio que em condições normais não poderiam ser ouvidos em sua região, sem a experiência, a paciência, a perseverança e as técnicas de seu praticante: o dexista.
Nessa perspectiva, podemos dizer que diferentemente do Shortwave Listener (SWL), que tem na programação da emissora sua motivação principal, para o Dexista os programas são de interesse secundário, visto que seu foco está concentrado em vencer o desafio de caçar e ouvir uma emissora de difícil captação.
5.1 - O Dexismo e os Serviços Internacionais.
A audição de Serviços Internacionais destinados à região do ouvinte (Continente ou Sub-Continente) não é considerada DX, porque as transmissões fazem parte da área da cobertura projetada pelos engenheiros das emissoras que, antecipadamente programaram os horários, as freqüências de operação, as antenas e os transmissores - geralmente de grande potência - para este fim. Neste caso, o mérito maior de se ouvir estes serviços deve ser creditado aos engenheiros e técnicos das emissoras que, como profissionais que atuam nos bastidores, nem sempre recebem o devido reconhecimento por seu trabalho.
A audição de serviços internacionais, fora das áreas de cobertura projetadas pelas estações (Continente ou Subcontinente), pode ser considerada DX.
5.2 - O Dexismo e as estações regionais e/ou locais.
Ouvir estações regionais, estando elas fora das áreas de cobertura projetadas pelas emissoras é considerado DX. A título de exemplo, examinemos o seguinte caso: ouvir no Brasil, em 4790 kHz (Ondas Curtas) as transmissões locais da Radio Vision de Chiclayo do “visinho” Peru é DX, ao passo que ouvir o serviço para o exterior da Rádio Internacional da China da “distante” China, numa transmissão dirigida a América do Sul, não é DX. Agora, caso ouçamos na América do Sul, da mesma China, uma transmissão local da estação regional Radio PBS Xinjiang em 3950 kHz estaremos realizando um DX.
5.3 - Dexismo dentro de um mesmo país.
São consideradas DX audições efetuadas fora da área de cobertura e provenientes do exterior, no entanto em países de dimensões continentais como o Brasil, podemos também classificar como DX algumas escutas de estações regionais distantes em Ondas Curtas, Ondas Médias e Freqüência Modulada (FM).
Entretanto, por prudência, seria interessante não cairmos na tentação de generalizarmos o conceito, sob o risco de estarmos banalizando o dexismo. Ouvir uma estação em Ondas Curtas de sua região, Ondas Médias ou FM da cidade vizinha não costuma a ser DX, até porque as estações, por menores que sejam, procuram cobrir as cidades circunvizinhas.
5.4 - Dexistas e Radioamadores.
Os dexistas não devem ser confundidos com radioamadores, eles não transmitem nenhum sinal eletromagnético e, conseqüentemente, não necessitam de nenhuma licença. Do dexista não são exigidos conhecimentos de eletrônica, tecnologias de rádio nem de telegrafia (a menos que ele se dedique a essa da modalidade), se bem que tais saberes certamente, poderiam ser-lhe de grande valia.
Não quero dizer com isso que um radioamador não possa tornar-se num dexista. O radioamador - que de antemão, já dispõe de conhecimentos técnicos sobre transmissores, receptores, antenas a certa experiência nos contatos de longa distância desenvolvidos na prática de seu hobby - tem grandes chances de transformar-se num bom dexista. Isto pode acontecer caso ele venha a se interessar em desenvolver uma dose a mais de paciência, de perseverança e de técnicas arrojadas de recepção para caçar, ouvir e decifrar os sinais débeis, muitas vezes em idiomas exóticos, provenientes de emissoras longínquas em transmissões não dirigidas a sua área de recepção. Da mesma maneira, um dexista pode transformar-se um bom radioamador, caso tenha o interesse em transmitir, se prepare tecnicamente e se submeta às avaliações previstas pelos órgãos de comunicação de seu país.
5.5 – “Dexismo” e “Radioescuta” não são sinônimos.
O dexismo é o hobby de se caçar sinais de rádio que em condições normais não poderiam ser ouvidos numa determinada região; aqueles sinais que somente seriam possíveis de se ouvir através da experiência, da paciência, da perseverança e das técnicas de um dexista.
Todo e qualquer ouvinte de rádio, ou radioamador pode tornar-se um Dexista, entretanto diluir ou rotular o hobby como “prática da radio escuta” além de revelar desconhecimento sobre assunto, corresponde a uma grosseira e perigosa simplificação que descaracteriza a prática do dexista, induz os novos praticantes ao erro e, no extremo, pode conduzir o hobby ao esquecimento e sua conseqüente desaparição.
Pelo momento, seriam essas minhas considerações sobre o assunto. Espero de alguma maneira ter contribuído para dirimir algumas das dúvidas que ainda pairavam sobre o tema. Esclareço que não foi meu objetivo o estabelecimento de hierarquizações, mas sim o de colocar em evidência as diferenças de cada modalidade, respeitando suas especificidades e identidades.
Para quem quiser saber mais sobre dexismo, recomendo que na Internet visitem o site do “DXinfo” e procurem o artigo denominado “Introdução ao Dexismo” (em inglês) do renomado dexista finlandês Mika Mäkeläinen que pode ser encontrado em http://www.dxing.info/about/dxers/mtm.dx

O autor é formado em História e membro do DX Clube do Brasil.

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Resumo para o "Solar-Terrestrial Data"

Variações no campo magnético da Terra são medidos por magnetômetros.
Dois índices são calculados:
Índice K - Faixa de 0 a 9, 0 é calma
Índice A - Usa a média das 8 leituras do índice K, Faixa de 0-400
Geralmente um Índice A igual ou inferior a 15 ou um índice K igual ou inferior a 3 é o melhor para a propagação HF.
Elevados índices A e K reduzem as MUFs, mas ocasionalmente MUFs em baixas latitudes podem aumentar quando os índices A e K são elevados.
Veja no quadro acima, tanto os dados relativos a data de hoje (UTC), quanto a faixa de variação dos índices K e A:

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